Meus vinte e poucos anos...
A vida é tão engraçada, quando pensamos estar seguindo um caminho, vem um vento e nos joga em outra direção. Certezas, incertezas, descobertas... A cada minuto o mundo nos mostra inúmeras facetas de uma realidade múltipla. Milhares de informações estão sendo processadas neste momento. Nossos olhos conseguem captar inúmeras vertentes de nossas realidades – o elogio da loucura - devaneios meus, seus, nossos. Uma gama infinita de querer, de provar, de agir. Horas atrás eu era um leo, agora, sou Leonardo, mas poderia me chamar João como tantos outros. Tenho minhas crenças, meus valores... Minha carga humana. Oscilo neste mundo e o mundo também gira ao meu redor... No meu planeta, o rei sol sou eu. Eu ilumino a minha vida, irradio luz... Transito por mundos opostos... As mais diversas realidades... Sou uma confusão... Um emaranhado de vontades. Mas o que será que eu sou? Ora, sou o Leonardo, o mesmo D’a Vinci de vinte e poucos anos atrás. Esta semana estes vinte e poucos anos pesaram... Não sou mais um menino, também não sou tão adulto assim, ainda me equilibro na corda bamba, ando de trampolim. Tá certo que não sou mais o Leonardo de infância, minhas pipas e carrinhos de brinquedo estão guardados no armário, mas o saudosismo ainda me bate, e coloco-me a brincar como se o tempo não tivesse passado. E o que será o tempo? O tic-tac dos relógios? Os dias que vão passando? Sei que não sou mais o menino que andava a beira da calçada, com sua mochila nas costas, sua merendeira nos ombros... Hoje transito pelo mundo, andando de um lado a outro, de ônibus em ônibus... Ainda me lembro de músicas dos meus tempos de menino e um sorriso brota em meus lábios. A vontade de pular, o cheiro adocicado do pirulito. Logo, me transporto para uma festa de criança. Sim, as mesmas festas que em minha vida adulta perderam a graça. Mas, me sinto atraído pelo colorido do algodão doce, das pipocas e das balas. O saudosismo se intensifica, quando dos meus lábios brotam um sorriso e eu penso: Fui muito feliz quando criança. Metade do que sou hoje, advém da minha carga infantil. Foi neste tempo que aprendi a respeitar os mais velhos, chamar senhor ou senhora Foram os anos onde equilibrei o lápis, dando flexibilidade aos dedos, que hoje de frente ao teclado, balbucia palavras saudosas destes anos de minha vida. Sonhei na caverna do dragão, fui super-herói, meu fantástico mundo. Hoje, não tenho mais tempo de ser o herói, com suas cargas genéticas, seus poderes mirabolantes. Procuro apenas ser o Leonardo adulto, consciente da sua realidade, de seus ideais, suas vontades e suas virtudes. Não sei se deixei de ser criança, apenas tenho a sensação de estar brincando de ser adulto.

